01/09/2026

Químico Responsável Técnico (RT) e Tratador parceria fortalece a segurança das piscinas coletivas


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A atuação integrada entre o Responsável Técnico e o piscineiro contribui para o controle da qualidade da água, a correta aplicação dos produtos químicos, a organização da manutenção e a proteção dos usuários em condomínios e outros ambientes de uso coletivo.

Manter uma piscina coletiva em condições adequadas envolve diferentes atividades: análise da água, definição do tratamento, aplicação correta de produtos químicos, operação dos equipamentos, limpeza, registros e identificação de possíveis não conformidades.

Nesse processo, dois profissionais exercem funções distintas e complementares: o Responsável Técnico (RT) e o tratador de piscinas, também conhecido como piscineiro ou operador.

Nós, da ANAPP, reforçamos que essa integração é fundamental para estabelecer uma rotina organizada, tecnicamente orientada e voltada à segurança dos usuários.

Em piscinas coletivas, a responsabilidade técnica e a atuação de profissionais capacitados ganham importância diante do número de usuários, da variação da carga de banhistas e da necessidade de controle constante dos parâmetros da água.

Qual é o papel do Responsável Técnico?

 

O Responsável Técnico é o profissional legalmente habilitado que assume atribuições técnicas dentro dos limites estabelecidos por seu conselho profissional.

No tratamento químico e controle da qualidade da água de piscinas de uso público e coletivo, o Conselho Federal de Química regulamentou, por meio da Resolução CFQ nº 332/2025, posteriormente alterada pela Resolução nº 345/2026, a Anotação de Responsabilidade Técnica para esses serviços.

No âmbito do Sistema CFQ/CRQs, portanto, falamos em ART – Anotação de Responsabilidade Técnica.

O profissional responsável deve estar devidamente habilitado e registrado no Conselho Regional de Química de sua jurisdição, com atribuições compatíveis com a atividade que será assumida.

A ART identifica formalmente o profissional responsável pelo serviço e estabelece a abrangência da responsabilidade assumida. A regulamentação também prevê informações como os dados do estabelecimento, nome e registro do profissional e a descrição das atividades sob sua responsabilidade.

Responsabilidade técnica não significa executar sozinho toda a manutenção

 

É importante compreender essa diferença.

O RT (Responsável Técnico) não substitui o tratador de piscinas, assim como o tratador não assume automaticamente as atribuições técnicas do RT (Responsável Técnico).

Em uma operação estruturada, o Responsável Técnico analisa, estabelece procedimentos, orienta, acompanha e responde pelas atividades técnicas sob sua responsabilidade, enquanto o tratador executa a rotina operacional da piscina de acordo com essas orientações.

Essa divisão permite que conhecimento técnico e execução prática funcionem de forma integrada.

O tratador é quem acompanha a piscina no dia a dia

Se o RT (Responsável Técnico) estabelece as diretrizes técnicas, o tratador é o profissional que acompanha continuamente o comportamento da piscina.

Entre suas atividades estão a aspiração, escovação, limpeza das bordas, peneiração, limpeza de pré-filtros e skimmers, retrolavagem do filtro, operação dos sistemas de circulação e aplicação dos produtos conforme os procedimentos estabelecidos.

O tratador também acompanha parâmetros da água dentro de sua rotina, registra medições e observa alterações que precisam ser comunicadas ao responsável técnico.

A ANAPP vem reforçando a importância dessa atuação profissional e estruturada. O POP – Procedimento Operacional Padrão para Operadores de Piscinas, por exemplo, reúne procedimentos relacionados à inspeção, limpeza, tratamento da água, segurança, identificação de riscos, ações corretivas e registro dos serviços executados.

Químico e piscineiro: comunicação precisa fazer parte da rotina

 

A parceria funciona quando existe troca constante de informações.

Imagine, por exemplo, que o tratador identifique durante a manutenção uma alteração recorrente no pH, consumo anormal de desinfetante, perda de eficiência da filtração ou mudança na aparência da água.

Essas informações precisam ser registradas e comunicadas.

A partir desses dados, o responsável técnico pode avaliar as condições do sistema, interpretar os resultados, orientar ajustes e, quando necessário, iniciar análises complementares.

O mesmo ocorre quando existe aumento significativo do número de usuários. Uma piscina de condomínio durante um período de baixa utilização possui uma dinâmica diferente daquela observada em finais de semana, férias ou dias de grande ocupação.

A comunicação entre RT (Responsável Técnico) e tratador permite que a operação acompanhe essas mudanças.

Controle da qualidade da água

Uma piscina visualmente cristalina não necessariamente apresenta todos os parâmetros dentro das condições adequadas.

Por isso, o trabalho técnico envolve acompanhamento de indicadores físico-químicos e, conforme a situação e as exigências aplicáveis, avaliações microbiológicas.

O Sistema CFQ/CRQs destaca parâmetros como cloro residual livre, pH e alcalinidade total entre aqueles que precisam ser acompanhados na rotina das piscinas coletivas, além da utilização de produtos regularizados e do correto armazenamento e manuseio das substâncias químicas.

A combinação entre análise técnica e observação diária permite construir um histórico da piscina e identificar alterações antes que se transformem em problemas de maior proporção.

Dosagem química exige responsabilidade

O tratamento da água não deve ser conduzido pela lógica de simplesmente adicionar produtos sempre que a piscina apresenta alguma alteração.

Produtos clorados, corretores de pH, algicidas e outros produtos destinados ao tratamento precisam ser utilizados conforme sua finalidade, dosagem e instruções do fabricante.

Misturas inadequadas podem provocar reações químicas perigosas.

Em nota oficial publicada em 2026, reforçamos que o tratamento das piscinas exige conhecimento técnico, protocolos definidos e aplicação controlada dos produtos. Também alertamos que combinações incompatíveis podem causar liberação de gases, geração de calor, alterações bruscas do pH e riscos para trabalhadores e usuários.

O responsável técnico exerce papel importante na definição dos procedimentos, enquanto o tratador precisa conhecer e executar corretamente as orientações estabelecidas.

Registrar as atividades protege toda a operação

Outra parte importante dessa parceria está na documentação.

Resultados de análises, produtos utilizados, quantidades aplicadas, horários, procedimentos executados, condições dos equipamentos e situações fora do padrão devem fazer parte do histórico da piscina.

O registro permite que o responsável técnico acompanhe a evolução dos parâmetros entre uma visita e outra e ajuda o tratador a manter uma rotina consistente.

Também cria rastreabilidade.

Caso apareça uma alteração na qualidade da água, é possível consultar o histórico para entender o que ocorreu, quais procedimentos foram realizados e quais medidas precisam ser adotadas.

Essa prática também contribui para uma relação transparente entre profissionais, administração do condomínio e moradores.

As condições dos equipamentos também interferem na água

Nem toda alteração é causada pelo produto químico utilizado.

Problemas de circulação, dimensionamento, filtração, tubulações, motobombas ou manutenção dos equipamentos podem comprometer o tratamento.

É justamente por isso que a análise não deve se limitar à concentração de cloro ou ao pH.

A ABNT NBR 10339:2018 – Piscina: Projeto, execução e manutenção estabelece requisitos técnicos relacionados às instalações e à manutenção das piscinas.

O tratador, por estar frequentemente no local, pode perceber ruídos diferentes na motobomba, alterações de pressão no filtro, vazamentos ou redução da circulação.

Esses sinais precisam ser relatados para que sejam avaliados pelos profissionais responsáveis dentro de suas respectivas competências.

E o condomínio?

A administração condominial também participa desse processo.

O síndico e os responsáveis pela gestão precisam contratar profissionais e empresas devidamente habilitados quando a atividade exigir responsabilidade técnica, manter documentação organizada e assegurar condições adequadas para o trabalho.

Em 2026, participamos junto ao CRQ-IV/SP de uma iniciativa voltada justamente à orientação dos síndicos sobre atividades que envolvem a área da Química. O trabalho destacou a importância da contratação de profissionais habilitados, da Responsabilidade Técnica e da adoção de procedimentos destinados à redução de riscos.

Existe, porém, uma consideração jurídica importante.

O próprio Conselho Federal de Química esclareceu que a Resolução nº 332/2025 não cria, isoladamente, uma obrigação automática ou um regime punitivo para condomínios residenciais ou comerciais. Segundo o CFQ, a atuação dos CRQs nesses condomínios possui caráter preventivo e orientativo. As obrigações concretas também podem decorrer de outras normas profissionais, sanitárias e legislações locais aplicáveis a cada estabelecimento.

Por isso, cada situação deve ser analisada de acordo com o tipo de piscina, atividade desenvolvida, localidade e regulamentação aplicável.

Piscineiro precisa emitir ART?

Para executar somente atividades operacionais de rotina, o tratador de piscinas não precisa emitir ART apenas por exercer a profissão.

Atividades como limpeza, aspiração, escovação, testes básicos e manutenção operacional não tornam automaticamente o piscineiro um Responsável Técnico.

Caso o tratador também possua formação profissional reconhecida e atribuições concedidas pelo conselho competente, a situação pode ser diferente.

O que define a possibilidade de assumir responsabilidade técnica não é simplesmente trabalhar como piscineiro, mas possuir formação, registro e atribuições profissionais compatíveis com aquela responsabilidade.

Uma parceria que valoriza os dois profissionais

Responsável Técnico e tratador exercem papéis diferentes, mas trabalham pelo mesmo objetivo: manter a piscina em condições adequadas de funcionamento e utilização.

O RT (Responsável Técnico) oferece o respaldo técnico, interpreta informações, estabelece procedimentos e assume as responsabilidades correspondentes às suas atribuições.

O tratador transforma essas orientações em rotina, acompanha diariamente a piscina, registra o serviço e identifica mudanças que precisam de atenção.

Quando essa relação funciona corretamente, o resultado aparece na qualidade da água, na segurança dos usuários, na organização do serviço e na valorização dos profissionais envolvidos.

Para nós, da ANAPP, fortalecer essa integração também faz parte do processo de profissionalização do mercado brasileiro de piscinas.

Uma piscina segura não depende somente de água aparentemente limpa. Ela depende de conhecimento, procedimentos definidos, profissionais capacitados, controle técnico e responsabilidade em todas as etapas da operação.

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