Nosso blog
Mulheres que tratam, cuidam e transformam o setor de piscinas
Compartilhe:
Em um mercado historicamente masculino, elas ocupam espaço, conquistam respeito e mostram que conhecimento, técnica e sensibilidade também fazem parte do tratamento profissional de piscinas
Em um ambiente majoritariamente masculino, como o de tratamento de piscinas, a atuação feminina representa muito mais do que presença: simboliza coragem, competência e transformação. E com a aproximação do Mês da Mulher, celebrado em março, nada mais oportuno do que olhar de perto para a realidade das mulheres que escolheram — e conquistaram — seu espaço como tratadoras de piscinas.
Para muitas delas, o caminho até a profissão surgiu em um momento desafiador. Foi o caso de Paula Pereira Alves Cardoso, que conheceu o setor de forma mais profunda durante a pandemia da Covid-19. Apesar de já vir de uma família de piscineiros, foi naquele período de incertezas que surgiu a oportunidade de atuar diretamente com o marido, Cleiton, também profissional da área. Ali, Paula percebeu que aquele trabalho poderia se transformar em carreira.
|
Paula Pereira Alves Cardoso |
“Percebi que o setor tinha potencial de crescimento e que havia poucas mulheres na profissão. Isso me motivou a prosseguir e construir uma carreira na área, conquistando os meus próprios clientes”, afirma.
Esse movimento não foi isolado. Segundo a tratadora Carla Pichutti, o pós-pandemia impulsionou a entrada de mais mulheres no setor, muitas delas ao lado dos companheiros. “Após a pandemia, muitas mulheres migraram para o ramo com seus maridos”, conta, acrescentando que hoje existe até um grupo feminino de piscineiras que reúne profissionais de todo o Brasil.
|
Carla Pichutti |
No entanto, a trajetória de Carla começou de outra forma: pelo caminho da especialização. Enquanto cursava o ensino técnico em química, ela foi convidada para estagiar em uma empresa ligada ao setor de piscinas. “Trabalhei com ozonizadores, fazendo o acompanhamento da adequação dos equipamentos às piscinas e aos piscineiros”, relata. Foi nesse processo que, ao treinar o uso do equipamento na piscina do próprio patrão, aprendeu também a limpá-la — e enxergou ali uma oportunidade profissional.
Apesar de ainda enfrentarem preconceitos, ambas são enfáticas ao afirmar que o conhecimento técnico é a principal ferramenta para romper barreiras. Com estudo, dedicação e preparo, não há limites para a atuação feminina no setor. Para elas, o diferencial das mulheres vai além da força física e se traduz em atenção, sensibilidade e olhar apurado.
“Nós mulheres temos o olhar de águia. Observamos uma borda que está suja ou até mesmo uma capa que precisa de limpeza”, reforça Paula.
Carla complementa destacando a relação com o cliente e o cuidado com detalhes que fazem toda a diferença no dia a dia. “Um pequeno vazamento, um barulho diferente no motor… quando a mulher é detalhista, evita problemas maiores”, aponta.
Para aquelas que desejam ingressar ou se destacar na profissão, as tratadoras são diretas: não existe fórmula pronta. O caminho passa por estudo constante, empenho e disposição para aprender. “É preciso entender o funcionamento físico e químico da piscina e ir à luta. No geral, não é um trabalho pesado, e as recompensas são enormes”, aconselha Carla, ressaltando que o conhecimento técnico é o que “impõe respeito em um mundo ainda preconceituoso”.
Os desafios, no entanto, existem. Paula lembra que, no início, uma das maiores dificuldades foi conquistar a confiança dos clientes. “A aceitação por ser mulher, se eu realmente daria conta do serviço proposto, foi um obstáculo”, relembra.
Mesmo assim, o olhar para o futuro é otimista. Ambas acreditam que a presença feminina no setor tende a crescer e se fortalecer, mostrando que competência não tem gênero. “Nossa fragilidade está nos pontos certos: no sorriso, no jeito doce de ser. Mas executamos os serviços com a mesma destreza que qualquer homem. O tratamento de piscinas vai muito além da força física — ele está, principalmente, no cuidado químico e na busca por uma água saudável”, finaliza Carla.
Estamos em fevereiro, nos preparando para o Mês da Mulher, e a história dessas profissionais reforça que ocupar espaços, transformar realidades e elevar o nível técnico do setor também é trabalho feminino. Que mais mulheres se vejam representadas, apoiadas e incentivadas a mergulhar em profissões onde a competência fala mais alto — e onde o futuro, definitivamente, também é delas.
Fonte: Revista ANAPP Edição 185
