16/07/2026

Logística reversa ganha força e transforma a relação do setor de piscinas com sustentabilidade


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Empresas associadas à ANAPP ampliam investimentos ambientais, fortalecem a reciclagem de embalagens e consolidam práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva

A preocupação ambiental deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade urgente e permanente em praticamente todos os segmentos produtivos. E no setor de piscinas, essa transformação também já é realidade. Sustentabilidade, responsabilidade ambiental e logística reversa passaram a ocupar papel estratégico dentro das indústrias, impulsionadas tanto pela conscientização global quanto pelo avanço das exigências regulatórias.

Entre os principais marcos está a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, que estabelece diretrizes para a gestão integrada e o gerenciamento ambiental adequado dos resíduos. A legislação também reforça o conceito de responsabilidade compartilhada entre empresas, consumidores e poder público.

Segundo Ricardo Nogueira, presidente da Montreal Produtos para Piscinasa política “impõe a responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e consumidores, focando na não geração, redução, reciclagem e logística reversa”, cenário que fez da sustentabilidade um dos pilares estratégicos da companhia.

Uma das iniciativas que vêm ganhando espaço no mercado é a adesão à entidades certificadoras de logística reversa de embalagens que conecta empresas a cooperativas e operadores de reciclagem, garantindo compensação ambiental equivalente ao volume de embalagens inseridas no mercado.

Nogueira destaca que o compromisso ambiental vai além das obrigações legais. “Isso é fundamental para a preservação do Meio Ambiente, já tão degradado e agredido pela ação do homem. Nós como indústria somos um dos principais participantes dentro da jornada de reciclagem de resíduos, por isso, é de extrema importância realizar a nossa parte com excelência”.

A Montreal aderiu ao Projeto de Compensação após discussões promovidas pela ANAPP em reuniões setoriais, ampliando sua atuação em práticas ambientais voltadas à reciclagem e destinação correta de resíduos.

 

Sustentabilidade integrada à operação

Na ALLCLOR, a logística reversa também passou a fazer parte da estratégia operacional e ambiental da empresa. Segundo Peterson Garcia, da Regulamentação e Certificação da empresa, “a iniciativa reforça o compromisso com a destinação ambiental adequada dos resíduos, expandindo essa responsabilidade para toda a cadeia de mercado e fortalecendo a cultura de preservação ambiental”.

A empresa realiza coleta contínua de recicláveis, destinação controlada de pallets, resíduos contaminados e EPIs, sempre acompanhados por Manifestos de Transporte de Resíduos (MTR). Paralelamente, mantém ações de conscientização interna junto aos colaboradores, fortalecendo a cultura sustentável dentro e fora do ambiente corporativo. E de acordo com Fábio Villatoro, químico responsável da empresa, essas ações evitam “contaminações ambientais, reduzem desperdícios e incentivam uma cultura de responsabilidade em toda a cadeia, desde a indústria até o consumidor final”.

Na Genco, o sistema de logística reversa opera por meio de parcerias com pontos de coleta e operadores especializados. Conforme explica o diretor Hugo S. Lisboa, “as embalagens são recolhidas após o uso e encaminhadas para reciclagem ou destinação adequada”.

Em paralelo, a companhia também desenvolve ações educativas voltadas a clientes e parceiros, incentivando a participação coletiva no processo. Lisboa ressalta que “cuidar da água é essencial, mas cuidar do que fica depois também é. O descarte correto é uma responsabilidade compartilhada e cada ação conta. Quando todos fazem sua parte, o impacto positivo é real e duradouro”.

Na Fluidra, a sustentabilidade já impacta diretamente a própria estrutura produtiva da empresa. Atualmente, todas as embalagens utilizadas são 100% retornáveis e parte da produção já incorpora insumos recicláveis.

De acordo com Silvio Donizete Bissoni, Gerente Industrial da empresa, a adoção da logística reversa modificou a visão estratégica da companhia, que passou a enxergar o processo “não mais como uma obrigação, gerando impactos positivos como a redução de custos, o aumento da eficiência operacional, a melhor utilização de recursos e o fortalecimento da competitividade e da imagem sustentável no mercado”.

 

Conscientização e impacto coletivo

O avanço dessas iniciativas também demonstra uma mudança gradual de mentalidade dentro do setor. Para Graziela da Silva, Analista Ambiental da BEL, o mercado já apresenta evolução importante em relação à conscientização ambiental, embora ainda existam desafios significativos, que estão “especialmente relacionados à educação ambiental e à adesão de todos os envolvidos na cadeia. É um processo contínuo, que exige esforço conjunto entre empresas, clientes e parceiros”.

Além da implementação das ações, medir os impactos ambientais gerados também se tornou parte fundamental dos programas de sustentabilidade.

Na Hidroazul, por exemplo, após o processo de compensação ambiental, de acordo com Ninna Alves Gouvea, Supervisora de Assuntos Regulatórios da empresa, “é elaborado um Relatório de Impacto, que tem a intenção de tangibilizar o impacto resultante do investimento realizado pela marca na cadeia de reciclagem, além de ser um documento legal que comprova o cumprimento das determinações definidas na Política Nacional de Resíduos Sólidos”.

A profissional ainda informa que, após a adoção das práticas sustentáveis, a empresa conseguiu contribuir para retirar dos aterros sanitários uma quantidade de resíduos equivalente à massa de mais de 1.100 carros populares, além de potencialmente reduzir cerca de 670 toneladas de dióxido de carbono (CO?).

Ela acrescenta que a companhia “intensificou as ações de conscientização interna, promovendo a prática dos 4 R’s (Repensar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar) em seus processos produtivos e um maior engajamento dos colaboradores sobre a importância da logística reversa, seus impactos positivos para o meio ambiente e o papel de cada um nesse processo”.

Na Suall Piscinas, integrante do Grupo Biondi, o projeto surgiu a partir do compromisso corporativo com responsabilidade ambiental e sustentabilidade ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos e embalagens.

Participante dos projetos, a empresa também acompanha os resultados ambientais obtidos com a compensação das embalagens. Segundo Guilherme Moreno, supervisor de QSMS, e Luciana Rocha Coutinho da Silva, técnica de meio ambiente, a iniciativa “torna possível mensurar o volume de embalagens compensadas ambientalmente e destinadas à reciclagem. Isso permite acompanhar resultados concretos relacionados à redução de resíduos destinados inadequadamente ao meio ambiente e ao fortalecimento da cadeia recicladora”.

Mais do que atender exigências legais, as ações de logística reversa vêm consolidando uma nova postura dentro do setor de piscinas. Ao integrar sustentabilidade, inovação e responsabilidade compartilhada, as empresas associadas à ANAPP demonstram que o desenvolvimento do mercado também passa pelo compromisso ambiental — fortalecendo não apenas a cadeia produtiva, mas também o futuro das próximas gerações.

 

Fonte: Revista ANAPP Edição 188