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Hidroterapia em cães: a força da água como aliada na reabilitação animal
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Foto: vetquality |
A água, há séculos utilizada por humanos em tratamentos de cura e relaxamento, vem conquistando também um espaço importante na medicina veterinária. A hidroterapia, antes restrita a atletas e pacientes humanos com restrições motoras, hoje figura como um dos recursos terapêuticos mais eficazes para cães em processo de reabilitação física.
De acordo com o estudo “Hidroterapia como recurso terapêutico em cães”, publicado na revista científica Medvep, por Adriane de Souza Belfort, Carolina Couto Barquete e Soraia Figueiredo de Souza, da Universidade Federal do Acre (UFAC), a prática vem sendo cada vez mais indicada por seus resultados consistentes em diferentes tipos de tratamento. O método associa as propriedades físicas da água — como flutuação, resistência e pressão hidrostática — para reduzir o impacto sobre as articulações e estimular a recuperação muscular, articular e cardiorrespiratória dos animais.
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Foto: saude.abril.com.br |
Uma técnica antiga aplicada à medicina veterinária moderna
O uso terapêutico da água é milenar. Há registros de que Hipócrates já prescrevia banhos de imersão e tratamentos aquáticos por volta de 400 a.C. No campo veterinário, a hidroterapia começou a ser documentada nos Estados Unidos, na década de 1980, em programas de reabilitação de equinos. Desde então, sua aplicação em cães e outros animais domésticos cresceu de forma expressiva, acompanhando os avanços na fisioterapia animal.
Hoje, clínicas veterinárias em várias partes do Brasil já contam com estruturas específicas, como piscinas terapêuticas e hidroesteiras — equipamentos semelhantes às esteiras comuns, mas que funcionam com o corpo do animal parcialmente imerso em água. Essa imersão reduz o peso corporal e o impacto sobre as articulações, permitindo o movimento mesmo em casos de lesão grave ou pós-cirurgia.
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Foto: petlove |
Como a água atua no corpo do cão
A principal vantagem da hidroterapia está no controle das forças que atuam sobre o corpo do paciente. A flutuação diminui a pressão sobre ossos e articulações, enquanto a resistência da água exige esforço muscular controlado. O resultado é um exercício eficaz, com menor risco de dor ou agravamento da lesão.
A pressão hidrostática, por sua vez, melhora a circulação e ajuda a reduzir edemas — o acúmulo de líquido nos tecidos. Já a temperatura da água, que normalmente varia entre 26°C e 30°C, proporciona relaxamento muscular e alívio da dor, além de estimular o sistema cardiovascular.
Essas propriedades combinadas tornam a hidroterapia uma aliada valiosa no tratamento de condições como displasia coxofemoral, artrose, lesões de ligamentos, problemas de coluna e recuperação pós-cirúrgica ortopédica. Além disso, é frequentemente indicada para cães idosos, ajudando a preservar a mobilidade, o equilíbrio e a qualidade de vida.
Modalidades e aplicações práticas
A hidroterapia pode ser aplicada de diferentes formas, dependendo da necessidade do animal. Entre as principais modalidades estão:
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Duchas e turbilhões: jatos de água com diferentes temperaturas e pressões, usados para ativar a circulação e relaxar a musculatura.
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Natação: o cão é totalmente imerso, utilizando todos os membros para se mover. É um exercício completo, que fortalece músculos e melhora o sistema cardiorrespiratório.
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Hidroesteira: permite que o animal caminhe com parte do corpo submerso, em velocidade e profundidade controladas. É uma das opções mais seguras e eficientes, especialmente em fases iniciais da reabilitação.
Em muitos casos, a hidroterapia é combinada com outros recursos fisioterápicos, como eletroestimulação, massagem ou laserterapia, compondo um plano de tratamento multidisciplinar sob orientação veterinária.
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Foto: abiclor |
Evidências e resultados
Estudos relatam melhora significativa na força muscular, flexibilidade e resistência após algumas semanas de sessões regulares. O movimento dentro da água também estimula a propriocepção — a capacidade do corpo de reconhecer sua posição e equilíbrio —, fundamental para cães que sofreram traumas neurológicos.
Além dos ganhos físicos, os benefícios se estendem ao bem-estar geral do animal. A água proporciona uma sensação de leveza e liberdade, que contribui para reduzir o estresse e a ansiedade durante o tratamento.
Desafios e cuidados
Apesar dos avanços, a adaptação nem sempre é imediata. Alguns cães demonstram medo ou resistência à água, exigindo paciência e sessões curtas até a ambientação. O acompanhamento profissional é indispensável: somente o médico-veterinário ou fisioterapeuta animal pode determinar a frequência, duração e temperatura adequadas para cada caso.
Outro ponto importante é a higienização das instalações, especialmente em ambientes coletivos, para evitar infecções de pele ou ouvido — problemas comuns em cães com predisposição a otites.
Um campo em expansão
A hidroterapia veterinária reflete um movimento maior: a consolidação da fisioterapia animal como especialidade no Brasil. O aumento na expectativa de vida dos pets e a humanização dos cuidados impulsionam a busca por tratamentos menos invasivos e com maior foco na qualidade de vida.
Para Adriane Belfort e suas colegas pesquisadoras, compreender as propriedades físicas da água e seus efeitos fisiológicos é essencial para otimizar os protocolos de reabilitação. “A terapia aquática permite uma recuperação mais rápida e segura, com resultados clínicos que reforçam seu papel como ferramenta indispensável na reabilitação de cães”, destacam as autoras.
Fonte: www.pool-life.com.br
