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Sem abalos

Postado em 12 de agosto de 2014 | 0 comentários

É comum dizermos que a casa é o nosso porto seguro. E as residências precisam mesmo ser construídas de acordo com normas e procedimentos que garantem solidez e longa duração. No caso das moradas sujeitas à ação de intempéries e ventanias, os arquitetos e engenheiros precisam pensar em uma solução conhecida como contraventamento estrutural. “Ela aumenta a resistência de uma edificação com relação aos esforços laterais e é usada principalmente em edificações mais altas expostas a ventos”, explica André Eisenlohr, arquiteto da capital paulista.

Francisco García Sánchez, engenheiro civil especialista em construções civis, transportes e serviços urbanos da Escuela Abierta de Desarrollo en Ingeniería y Construcción (Eadic), de Madri, na Espanha, acrescenta que o contraventamento estrutural é um sistema cuja função principal é diminuir a energia que faz um edifício se deslocar lateralmente. “Ele controla estes deslocamentos,  evitando que agitações sísmicas ou ventos fortes causem danos estruturais”, destaca o profissional espanhol.

A medida é necessária para construções superiores a três ou quatro andares ou que estejam situadas em zonas sísmicas muito ativas ou expostas a ventos de grande velocidade.

“Ela não torna o projeto rígido, mas, sim, minimiza, ao máximo, sua movimentação horizontal. Gosto de pensar no edifício como o corpo humano, que além dos ossos, equivalentes aos pilares e vigas, possuem também músculos e nervos, como é o contraventamento, tornando sua estrutura forte e resistente, porém com a maleabilidade necessária para que o conjunto funcione perfeitamente”, acredita Eisenlohr.

 

Execução correta

O arquiteto de São Paulo destaca que o contraventamento estrutural é feito por barras ou cabos de aço sempre em forma de “X” ou treliça. “Eles ligam os pontos de conexão entre pilares e vigas, fazendo com que o sistema trabalhe sob tração e aumente, assim, a resistência desses pontos, trazendo estabilidade estrutural para o conjunto”, enfatiza.

Independentemente de estar exposto ou não, é imprescindível utilizar aço inoxidável ou galvanizado para evitar ferrugem. “Nas conexões deverá haver elementos que permitam a regulagem ao longo da vida útil do edifício, como barras rosqueadas com porcas (no caso de barras de aço) ou esticadores (cabos de aço)”, adiciona Eisenlohr.

Antes de realizar a intervenção, é preciso fazer uma análise das áreas que receberão o aço, atentando-se para a posição mais correta do material a fim de evitar deformações e problemas no sistema. “Tenha cuidado especial com a execução de soldas ou parafusos de ligação, pois podem falhar e, portanto, deixar o sistema de contraventamento obsoleto. Em suma, precisamos de um bom desempenho de monitoramento do trabalho, bem como a qualidade dos materiais”, relata Sánchez.

Normalmente, as instalações do sistema são feitas durante a obra antes da fase de fechamentos (colocação de paredes, portas e janelas). “Caso contrário, a construção pode sofrer avarias devido à movimentação do ajuste durante o contraventamento. Para seu correto dimensionamento, são necessários cálculos estruturais específicos, havendo inclusive softwares de simulação que auxiliam o profissional especializado a solucionar a questão. No caso, um engenheiro calculista deverá ser consultado”, aconselha Eisenlohr.

Vale destacar que desde que avaliado com cuidado por um especialista e executado no momento certo da obra, o contraventamento estrutural não encarece o projeto. A solução, ao contrário, permite uma construção leve com maior economia de materiais. “É mais adotada em casas com estrutura metálica e de madeira. No caso de estruturas convencionais de concreto, os próprios elementos estruturais (pilares, vigas, lajes, paredes) funcionam como estruturas de contraventamento”, afirma Eisenlohr.

O engenheiro civil espanhol lembra que a intervenção deixa mais leves os perfis metálicos das estruturas e, portanto, implicam em um custo menor na obra como um todo. “O único caso claro em que o serviço fica mais caro é quando a implementação é feita com a obra terminada e é preciso fazer um ajuste e a posterior aplicação, como em prédios antigos, por exemplo”, completa.

 

Proteção garantida

Depois de instalado, o sistema dispensa grandes cuidados com manutenção. “Se usados da forma correta e calculados com precisão, a manutenção será praticamente inexistente, necessitando apenas de simples ajustes manuais a cada dois anos em média, como apertos de porcas ou esticadores, já que existe certa flexibilidade natural desses elementos”, diz Eisenlohr.

O ideal é supervisionar anualmente ou após graves intempéries as estruturas para conferir se houve oxidação ou deterioração de alguma peça. Em caso positivo, basta substitui-las.

O contraventamento estrutural é essencial em determinadas edificações. Quando não executado, as moradas podem apresentar trincas e rachaduras nas paredes, vidros quebrados, portas e janelas desalinhadas, problemas na cobertura e nos pilares. “No pior dos casos, a falha é estrutural e, portanto, leva à queda ou ao colapso da construção, deixando-a inabitável ou causando sua posterior demolição”, enfatiza Sánchez.

 

Revista: Construir

Edição: 176

Texto: Paula Andrade

Fotos: Pesquisa compartilhada no Sidac (Construir 176-Contraventamento)

Crédito: Gui Morelli

Author: admin

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