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Piscina verde na Rio-2016

Postado em 3 de novembro de 2016 | 0 comentários

Episódio reforça importância da correta manutenção da água

Por: Alcides Lisboa

 

Em meio às exuberantes imagens da Rio-2016 geradas por câmeras de última geração, canais de TV do mundo inteiro comentaram em mais de 100 idiomas o inusitado fenômeno de esverdeamento da água das piscinas de salto e de polo aquático no Parque Maria Lenk.

A coloração verde começou a ser percebida no dia 9 de agosto e foi se intensificando nos dias seguintes até que, em 13 de agosto, o Comitê Olímpico decidiu substituir todos os 3,75 milhões de litros da água da piscina de polo aquático.

As causas – primeira pergunta que veio à mente de espectadores, atletas, jornalistas e organizadores –  ninguém conseguiu explicar.

PH da água, alcalinidade baixa –  fatores que jamais provocariam esse efeito, segundo os especialistas -, filtração ineficiente e até “muito calor e falta de ventos”, entre outras pérolas da sabedoria humana, se candidataram a receber essa desonrosa medalha da Rio-2016. Mas nenhum deles levou.

No domingo, 14 de agosto, um dos organizadores disse em entrevista na TV que o problema foi causado pela adição indevida de 80 litros de peróxido de hidrogênio na água. Segundo o diretor de instalações do Comitê Rio-2016 Gustavo Nascimento, a adição do produto “enganou” o sistema elétrico de controle dos níveis de cloro, prejudicando ajustes na qualidade da água.

Essa é a explicação mais compatível com o problema constatado. Oxidante, a água oxigenada reage com o cloro (uma reação na qual os dois produtos se extinguem), consumindo seu residual desinfetante. Assim, equipamentos de controle não detectaram a ausência do cloro e a água ficou desprotegida, sem residual de cloro livre por algum tempo.  Com o uso intensivo das piscinas e o calor intenso, compostos orgânicos, especialmente amoniacais presentes no suor (atletas podem transpirar até 0,5 litro de suor em uma hora), facilitaram a proliferação de algas (como acontece nas represas no alto verão).

A adição de água oxigenada (alguns disseram 160 litros) ocorreu no dia 5 de agosto e uma explicação plausível apareceu publicamente no domingo, 14.  Nesse intervalo, foram veiculadas notícias desencontradas, irreais, de contundente ignorância e, pior, de nenhuma autoridade sanitária ou, no mínimo, especializada em tratamento de águas.

A nosso ver, muitas lições podem ser tiradas desse infeliz incidente em disciplinas diversas como Administração, Relações Públicas, Engenharia etc.:

  • Se você vai sediar um grande evento, seja uma festa, uma competição ou olimpíada, que envolva o uso da piscina, assegure-se sempre de ter a assessoria de profissional habilitado e experiente. Certifique-se previamente que todos os equipamentos estejam funcionando em perfeita ordem e não deixe para testá-los na hora do evento. Pratique alguns dias antes para não ter surpresas repentinas.
  • Tratamento de água é coisa séria. Use produtos confiáveis e seguros, adquira familiaridade com seu uso e não faça experiências novas se está satisfeito com o que está utilizando. Mas, se não estiver satisfeito e quiser experimentar algo novo, que não seja durante um evento importante.
  • Tratar piscinas de forma correta e consistente é também a mais econômica.
  • Não tenha medo de assumir erros. A confissão sincera do erro, logo no início teria evitado os desencontros, descalabros e desperdícios testemunhados mundo afora e, principalmente, teria evitado o agravamento do problema com uma solução rápida.  Estimule sua equipe a reconhecer erros sem medo de punições. É uma forma de aprender. Errar é humano. O que não é permitido é repetir os mesmos erros. Faça erros novos.
  • Em caso de crise, nunca permita que qualquer um – mesmo que entenda do assunto – saia dando entrevistas (são envaidecedoras!). Crie um comitê para resolver o problema, eleja uma única pessoa para ser o porta-voz de sua empresa e relatar de forma sucinta e objetiva o que está ocorrendo (em vez de cada um dizer às câmeras o que acha que sabe!).

Certamente outros ângulos – além dos abordados acima –  poderão ensejar mais aprendizado a partir dessa história.

 

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Author: admin

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