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Economia em academias e clubes – Parte I

Postado em 18 de junho de 2014 | 0 comentários

Este artigo é dedicado principalmente à piscinas de academias e clubes, em função do alto consumo de água, energia e produtos químicos utilizados. Mas o tipo de economia aqui mencionado pode ser aplicado em qualquer tipo de piscina.

O custo de água da concessionária

O custo da água é calculado em função do consumo. Abaixo apresentamos um exemplo da SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) referente às tarifas para estabelecimentos comerciais de 11 de setembro de 2008.

Consumo (m³) Água (R$/m³) Água + Esgoto (R$/m³)
até 10m³ 26,21 52,42
de 11 a 20m³ 5,09 10,18
de 21 a 50m³ 9,78 19,56
acima de 50m³ 10,18 20,36
Nota: (*) até 10m³, o custo é de R$ 26,21 para água e de R$ 5242 para água + esgoto, independente do consumo.

Estes valores devem ser multiplicados por dois, pois o custo final corresponde ao custo da água somado ao custo do esgoto. Para efeito de estudo econômico, vamos considerar somente o custo para consumo superior a 50 m³.

Uma das maneiras de se obter água mais barata que a da concessionária é aproveitar as sugestões a seguir:

Poço artesiano

Para construção do poço artesiano, dois aspectos devem ser considerados: sua correta localização e o risco de se encontrar água de forma econômica.

Nas academias e clubes em projeto, quando a localização ideal do poço artesiano é no seu interior, deve-se procurar um novo local para o poço ou tentar modificar a planta da academia. Nas academias já existentes, a perfuração do poço pode gerar, além dos problemas citados, problemas operacionais relacionados à entrada do equipamento que irá perfurar o poço e transtornos no estacionamento da academia durante a construção.

Não se sabe a priori qual será a vazão média diária do poço. Para aumentar essa vazão, é necessário muitas vezes aumentar a profundidade do poço, o que aumenta o seu custo. Por isso, o cálculo do retorno deve ser feito levando-se em conta duas variáveis: o preço final do poço e sua vazão média.

Nos cálculos econômicos, deve ser levada em conta apenas a economia de água, porque a concessionária vai cobrar a taxa referente ao esgoto, cujo valor é exatamente igual ao da água. Além dessa economia, devem-se adicionar ao cálculo o custo da energia consumida pela bomba utilizada pelo poço artesiano e os possíveis gastos com manutenção preventiva ou corretiva do poço e da bomba.

Poço comum

Uma alternativa para substituir o poço artesiano é o poço comum, que tem um custo de construção menor que o do poço artesiano, mas apresenta quase sempre uma vazão menor.

Mina d’água

Embora difícil de encontrar nos terrenos onde estejam construídas as piscinas, a sua existência deve ser bem aproveitada.

Largos e rios

Sua presença nas proximidades de uma piscina é bastante difícil, principalmente nas zonas urbanas. Caso existam e sejam utilizados para a obtenção da água esta deverá ser tratada.

Caminhão-pipa

O uso de água de caminhão-pipa é uma solução alternativa, principalmente no caso de falta de água fornecida pela concessionária, que não cobrará a taxa de esgoto se esta água for utilizada de uma maneira eventual, quando houve falta de água.

Na cidade de São Paulo, os caminhões-pipas podem transportar os seguintes volumes de água: 10, 14 e 16m³. Para sua utilização, deve-se ter um reservatório de grande dimensão (maior de 16m³) situado, de preferência, abaixo do estacionamento.

Observações: Conforme mencionado, todos os meios de obtenção de água que não o da concessionaria, implicam o pagamento da parte correspondente ao esgoto, cujo preço é equivalente ao da água fornecida pela concessionária. A água obtida de maneira alternativa deve ser analisada tanto sob o aspecto bacteriológico quanto sob suas propriedades físico-químicas, como dureza, alcalinidade, presença de metais, fosfatos, nitratos, sulfetos, sulfatos etc.

Principais perdas de água

Vazamento na piscina:

Este tipo de perda não é comum e pode ser evitado tomando-se os devidos cuidados durante a construção da piscina. Dependendo da localização do vazamento, a operação de conserto varia de muito fácil a muito difícil.

Uma piscina com vazamento quer na estrutura, quer nas tubulações hidráulicas, dependendo de sua gravidade é uma fonte de despesa muito grande.

O estudo do possível vazamento é composto por duas etapas. Uma é a constatação do vazamento, que pode ser feita facilmente; a outra, de difícil determinação é a exata localização do vazamento. Devido à dificuldade, esta etapa deve ser entregue a firmas especializadas.

Uma das maneiras de se saber se há vazamento é deixar a piscina descoberta e com equipamentos ligados num período sem atividade (geralmente um fim de semana) e fazer a marcação do nível da água. Num balde com água colocado próximo à piscina, deve-se fazer também a marcação do nível da água. Se após dois dias os dois níveis de água baixar por igual, não há vazamento. No caso de o nível da água do balde, há vazamento, que será tanto maior quanto maior for a diferença entre os dois níveis.

O vazamento, quanto grande, pode provocar danos na estrutura da piscina, inclusive a remoção da terra ao seu redor.

Pode ocorrer também m outro tipo de vazamento, sem ser na piscina, mas na linha de alimentação da água da concessionária, entre o cavalete de entrada e a caixa-d’água.

Pode ocorrer também um outro tipo de vazamento, sem ser na piscina, mas na linha de alimentação da água da concessionária, entre o cavalete de entrada e a caixa d’água.

Uma piscina na dimensão de 5 x 10m, com vazamento diário de 4cm por dia, no ano vai desperdiçar 730 m³.

Evaporação

Perde-se água por evaporação devido a uma série de fatores, dos quais mencionaremos os mais importantes, divididos em três categorias:

A: Fatores relacionados com o projeto da piscina e seu uso, onde praticamente inexiste a possibilidade de se reduzir a evaporação.

  • área da piscina
  • temperatura ambiente
  • umidade relativa do ar
  • carga de banhistas
  • número de horas de uso da piscina ao longo do dia

B: Fatores que, se alterados, podem diminuir a evaporação, mas muitas vezes de difícil aplicação.

  • Diminuição da temperatura da água da piscina, reduzindo-se a evaporação
  • Redução da velocidade do vento na superfície da piscina por meio de anteparos ou árvores e plantas.

C: Fator que depende totalmente do proprietário da piscina, mas apresenta o inconveniente de seu custo.

Uso de uma capa

O uso da capa térmica ou de proteção reduz sensivelmente as perdas por evaporação, a qual só pode ser usada quando não houver atividade na piscina.

Uma piscina de 12,5 m x 25,0 m, com uma área de 312 5 m² que perde 2 cm de água por evaporação por semana, perde 6,25³, totalizando 28 m³ de água por mês e 728 m³ por ano. É lógico que a capa não reduz totalmente a perda por evaporação, mas chega a economizar aproximadamente 50% desse volume.

Retrolavagem

Uma das grandes perdas de água numa piscina ocorre na retro lavagem dos filtros, principalmente se o filtro for de areia. As maneiras de se diminuir a perda de água por retro lavagem são:

  • Só fazer a retro lavagem quando necessário, isto é quando os manômetros dos filtros indicarem essa necessidade por suas pressões, desde que estejam em perfeitas condições, ou ainda quando o operador da piscina, por sua experiência, achar que ela é necessária.
  • usar o visor de lavagem, que permite verificar a limpidez da água que sai do filtro. Tão logo a água que sai do filtro. Tão logo a água esteja saindo límpida pela tubulação de esgoto, interromper a retro lavagem.
  • Usar o visor de lavagem, que permite verificar a limpidez da água que são do filtro. Tão logo a água esteja saindo límpida pela tubulação de esgoto, interromper a retro lavagem.
  • Em grande piscinas, dado o grande volume de água, jogar a água da retro lavagem numa caixa d-água própria para isso ou em lagos, (desde que não contenham peixes, porque o cloro existente na água, quando em altas concentrações, é mortal).Essa água da retro lavagem pode ser recuperada retornando para a piscina (depois de tratada), pode ser usada para regar grama, desde que não tenha um alto teor de cloro, ou ainda para molhar uma quadra de tênis.

Para exemplificar o gasto de água na operação de retro lavagem, vamos fazer o cálculo anual do custo de água de uma piscina que usa uma bomba de 2 cv com vazão na pressão de retro lavagem de 28 m³/h cuja operação de retro lavagem dura em média, 5 minutos , sendo que sua necessidade de retro lavagem é semanal será de 28 x 5/60 = 1,8 m³ e o gasto anual será de 1,8 x 52 = 94 m³/ano. Considerando-se o custo da água (mais o esgoto) de R$/m³ = 20,36, o custo anual da água de retro lavagem será de 94 x R$20,36 = R$1.913,00.

Aspiração

Sempre que possível, deve-se fazer a aspiração com o filtro na posição na posição filtrar e não na posição drenar.

Principalmente em grandes instalações, mas também nas pequenas pode-se usar o filtro móvel de cartucho para se fazer a aspiração. A água suja passa pelo filtro e retorna limpa para piscina. A sujeira que fica no cartucho do filtro é eliminada fisicamente por uma mangueira de água. A sujeira retida no filtro de cartucho não vai ser retirado pelo filtro fixo quando da aspiração na posição filtrar o que irá aumentar o intervalo entre duas retro lavagens, diminuindo o consumo de água.

O cálculo do custo de água perdida pela aspiração realizada uma vez por semana com o filtro na posição drenar, para uma piscina que usa uma bomba de 2 cv, com vazão na pressão de aspiração de 22 m³/h e com uma duração média de meia hora, é mostrado a seguir. O volume de água gasto semanalmente na aspiração e jogado diretamente no esgoto é de 11 m³ e o gasto anual é de 11 x 52 = 572 m³/ano, o que representa uma despesa de:

572 x R$20,36 = R$11.646,00.

Entrada de ar na água de alimentação

Apesar de este tipo de perda não se relacionar com as perdas da piscina propriamente ditas, ele deve ser mencionado domo uma possível fonte de economia. A entrada de ar na água de alimentação aumenta a vazão de água registrada no hidrômetro. Isso significa que o usuário vai pagar pelo ar como se fosse água. Existem no mercado aparelhos que, adaptados à linha de alimentação, eliminam ar. Os fabricantes desses aparelhos afirmam que, com sua utilização, se consegue obter uma economia média de 20% no consumo de água.

 Alternativas

São alternativas que funcionam apenas como lembretes. São elas:

  • Proibir o excesso de mergulhos, lutas na água e espirrar água para fora da piscina.
  • No caso de haver um extravasor, fechá-lo quando da entrada de várias pessoas.
  • Quando a água de alimentação para preenchimento da piscina for ligada, procurar não se esquecer de desliga-la caso contrário vai sair água pela superfície da piscina.
  • Não limpar o deck com esguicho, e sim com vassoura.

Na próxima edição, você confere a segunda e última parte do artigo.

Autor:

Nilson Maierá é formado em engenharia química pela Universidade Politécnica da Universidade de São Paulo – USP. Maierá está há pelo menos 30 anos no mercado de piscinas e é fundador da academia Raia 4 piscinas.

Author: admin

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