11/03/2020

Abuse do filtro solar


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Especialistas explicam a importância de proteger a pele mesmo em dias nublados e aplicar o produto meia hora antes de entrar na piscina.

Verão, férias, lazer em família e com amigos. Três fortes motivos que transformam a área de piscina em um ponto de encontro ideal neste período do ano. Mas como o sol não está para brincadeira, manter a pele protegida com filtro solar, de boa qualidade e na medida certa, é um cuidado que deve ser tomado.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que estudos mostram que 70% ou mais da radiação solar que recebemos durante a vida é adquirida no dia a dia, sendo que 30% da mesma provém de momentos de lazer. Por isso, a entidade recomenda produtos com fator de proteçãosolar (FPS) a partir de 30, além do uso de chapéus, blusas e óculos com proteção UV (ultravioleta). É importante também se servir ainda de locais com menor exposição ao sol, como ombrelones e barracas. Vale destacar que tais medidas fotoprotetoras são recomendadas mesmo em dias nublados e não apenas nos momentos de lazer.

Luiz Fernando Fleury, médico e assessor do Departamento de Cirurgia Micrográfica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica quais cuidados devem ser tomados na hora de comprar o protetor solar. “Escolha o produto levando em conta, basicamente, dois aspectos importantes: o fator de proteção solar (FPS), no mínimo 30, que deve ser maior quanto mais clara for a pele, e a cosmética do produto - se é oleoso ou seco, se é fácil de espalhar -, fatores que variam de acordo com o tipo de pele”. Como a pele da face (que tende a ser mais oleosa) e do corpo possuem características diferentes, os produtos indicados para o rosto também podem ser associados a alguns ativos ou a bases tonalizantes. Já os recomendados para o corpo, por sua vez, podem ser mais fáceis de espalhar, em razão da sua fórmula. Em relação à aplicação do filtro solar, Luiz Fernando Fleury recomenda o procedimento entre 20 e 30 minutos antes da exposição ao sol e a reaplicação a cada duas horas, reforçando a proteção ao sair da piscina. No caso dos bebês, o uso do filtro solar é permitido a partir dos seis meses de vida. Antes disso, a exposição ao sol por longos períodos não é recomendada. E para as crianças acima desta

faixa, acrescenta, o ideal é optar por produtos específicos para esta faixa etária, mas, “na falta deles”, os de adulto são permitidos. Melhor piscina que praia.

A dermatologista Ligia Kogos observa, porém, que os riscos de exposição ao sol têm impacto menor na piscina quando comparado à praia: “A areia reflete o sol de baixo para cima, deixa o ambiente mais quente, e expõe até mesmo quem está com chapéu ou viseira. Isso sem contar com a sensação desagradável da areia em contato com o corpo, que dificulta a aplicação do produto”. Questionada sobre os cuidados que devem ser tomados na escolha do protetor, a especialista explica que as pessoas buscam um fator de proteção que se refere à radiação ultravioleta B, que deixa sinais evidentes no corpo, como queimaduras solares, pele avermelhada e com bolhas. “Felizmente, observamos cada vez menos esses efeitos, sinal de que se espalhou a cultura do uso de filtro solar”. A doutora lembra que existem no espectro solar as radiações A (que não deixa evidência na pele e que pode ter os efeitos amenizados com FPS 25 e 30), B e C.

Outro ponto de alerta de Ligia Kogos está na escolha do filtro. Além de levar ZXX em conta a cor da pele, é preciso considerar o grau de exposição ao sol e a atividade que se pretende desempenhar. “Quanto mais a pessoa transpira, mais o produto perde o efeito, já que possui um poder relativo de permanência”. Há substância que os fabricantes adicionam ao filtro, geralmente silicones ou dimeticones, encontrados na cosmetologia avançada, que faz com que o produto tenha maior aderência ao corpo e seja mais resistente a água, explica.

Para saber qual o fator de proteção ideal, faça a seguinte conta. Imagine quanto tempo, em média, a pele ficaria vermelha, quando exposta ao sol, e multiplique pelo FPS do produto. “Se uma garota loirinha demora dez minutos para ficar vermelha, o filtro 15 fará com que ela leve 150 minutos (pouco mais de duas horas). Já uma pessoa morena, acostumada ao sol, que demoraria 4 horas para ficar vermelha, com filtro 8 subiria o tempo para 32 horas”. A dermatologista alerta, porém, que indivíduos com manchas na pele, ou com facilidade para obtê-las, devem sempre fazer opção por alto FPS.

 

Fonte: Revista ANAPP Edição 149